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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Encurtamento do braço em crianças e as consequências:





A principal causa para o encurtamento do braço em crianças é a sequela da infecção articular do ombro, ou seja da artrite séptica.
 
A infecção pode ocorrer em qualquer momento da vida da criança, podendo inclusive acometer os recém-nascidos.

O quadro incial é caracterizado por pseudoparalisia do membro superior da criança, ou seja, a criança mantém imovél o braço envolvido, dor com a manipulação passiva e ativa articular, presença de sinais inflamatórios locais como vermelhidão, inchaço, aumento de temperatura local.





Geralmente há febre e abatimento da criança com perda de apetite e diminuição para a realização das atividades habituais.

A suspeita é confirmada com exames complemantares de laboratório e de imagem.

O tratamento deve ser iniciado imediatamente pois, trata-se de uma urgência ortopédica.

A demora em instituir o tratamento adequado está relacionado ao surgimento de sequelas locais, sendo o encurtamento do braço a mais importarte e que deve ser evitada.


Rx ombro evidenciando aumento de volume de partes moles e alargamento do espaço articular


Existem diversas formas para tratar a artrite séptica do ombro sendo que, o mais eficaz, é o tratamento cirúrgico ortopédico com drenagem aberta da articulação, lavagem exaustiva e coleta de material para identificação da bactéria causadora.

Após a cirugia é iniciado a terapia antibiótica adquada, por via venosa, com a criança mantida em regime de internação hospitalar.

As sequelas:

Os resultados a curto prazo após a resolução do quadro agudo de infecção são satisfatórios.

A criança recupera a mobilidade articular e restabelece as funções do membro superior.

A região mais importante para o crescimento do braço, localiza-se na extremidade proximal do úmero (osso do braço), que fica localizada no interior da articulação do ombro.

Portanto, infecções no ombro, podem levar a lesão na região de crescimento do osso, principalmente se tratadas indadequadamente, seja devido a atraso na drenagem ou pela não realização da drenagem aberta articular.

Esses são os principais fatores que favorecem o surgimento da sequela de encurtamento do úmero.

A constatação:


Observem o evidente encurtamento do braço esquerdo.

Com o desenvolvimento da criança, a longo prazo, os familiares vão observando a evidente diferença de comprimento entre os braços.

A criança inicialmente não apresenta queixas funcionais, ou seja, apesar do braço ser curto, sua infância ocorre sem dificuldade para segurar objetos, brincar e fazer esportes.

As queixas funcionais só surgem com a progressão do encurtamento acima de 3 cm, quando serão observados:

- Limitação nos movimentos do ombro;

- Dificuldade para as atividade diárias simples como escovar dentes (levar a mão a boca), pentear cabelos (levar a mão a cabeça) e fazer a higiene do períneo.




- Com a chegada da adolescência e a maior precepção corporal, surgem as preocupações do próprio adolescente com a sua visão corporal e aparência do braço, principalmente quando no convívio social.

O tratamento para o encurtamento:

É cirúrgico com o alongamento ósseo do úmero (osso do braço).


Rx comparativo revelando o encurtamento do úmero esquerdo


Trata-se de uma cirurgia feita com um aparelho externo, chamado de fixador externo, que fica preso ao osso através de pinos de fixação.

Permite o crescimento do osso curto, a uma velocidade de 1mm/dia.


Fixador externo.


Exige um bom entendimento dos familiares em promover a higiene dos pinos, no contato com a pele e o regular ajuste do aparelho nos intervalos recomendados pelo cirurgião.

O tratamento é longo, com possibilidade de reinternações para ajustes no fixador externo, quando necessários.




Os resultados são satisfatórios na obtenção do comprimento necessário e recuperação da função do braço e auto-estima da criança e adolescente.

Um abraço a todos,

Dr. Maurício Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O fêmur curto congênito: Conheça a patologia.






 Trata-se de uma patologia de origem congênita e que caracteriza-se pela diminuição do tamanho do fêmur (osso da coxa), podendo apresentar deformidades associadas e até ausência parcial do osso.


Chamamos de fêmur curto congênito quando o osso da coxa é curto mas sem alteração no seu formato.

Quando estamos diante de uma criança que tem o fêmur curto porém, com alterações no seu formato ou com ausência parcial do osso, a nomenclatura passa a ser de deficiência femoral focal proximal.


O quadro clínico:




Visto no recém-nascido que apresenta a coxa encurtada, o quadril em atitude de rotação externa e o grande encurtamento do membro inferior fazendo com que o pé do lado curto esteja na altura do joelho do lado normal.

Existem diversas formas de apresentação que precisam ser classificadas com a combinação de exame físico ortopédico e exame de imagem.


Os exames de imagem visam anallisar:





- Formato do quadril e se existe displasia desta ariculação, ou seja, se a cabeça femoral está ossificada ou não e se o teto da articulação esta normalmente formado ou insuficiente.

- Formato do osso, principalmente na sua extremidade próxima ao quadril, onde podemos ter anormalidades, conhecida como coxa varo, onde há diminuição no ângulo entre a cabeça do fêmur e o colo femoral com limitação no movimento do quadril da criança principalmente da abertura do quadril.

Na consulta devem ser analisados ainda o formato dos joelhos pois, é comum a criança apresentar deformidade em valgo do joelho.
 
A patela, osso da frente do joelho deve ser palpada e analisada quanto a sua estabilidade durante a mobilidade articular. 

O exame físico ligamentar também é um ponto importante a ser avaliado pois, é frequente, a criança apresentar ausência do ligamento cruzado anterior e franca instabilidade do joelho ao exame físico. 

O pé do lado curto também deve ser examinado quanto a ausência de raios laterais e a mobilidade do tornozelo.





O tamanho do encurtamento na maturidade esquelética:


Pode ser estimado na primeira consulta através do método multiplicador de Paley onde, medimos o encurtamento atual e usamos a tabela multiplicadora de acordo com a idade da criança.



O tratamento:





Depende dos diversos fatores citados acima e tem por objetivo a recuperação do comprimento do membro curto seja por procedimento de alongamento ósseo ou através de prótese de extensão.



As possibilidades cirúrgicas:




- Correção da deformidade do fêmur e acetábulo (quadril), através de osteotomia femoral de realinhamento associado a osteotomia periacetabular;

- Correção da instabilidade patelar quando presente;

- Alongamento ósseo;

- Epifisiodese (cirurgia que visa inibir o crescimento do membro longo, feita em momentos adequados)

- Cirurgias de salvamento que visam preparar o membro inferior para utilização de prótese de extensão.





Conclusões:


Deficiência femoral focal proximal é uma patologia com diversas formas de apresentação.

O tratamento é prolongado, com várias etapas e que visam oferecer um membro inferior funcional para as atividade diárias, seja através de procedimentos reconstrutivos como os alongamento ósseos ou atráves da adaptação de próteses de extensão em pacientes com formas graves da doença, onde os alongamentos não tem indicação.


Um abraço a todos,


Dr. Maurício Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239

E-mail: dr.mauriciorangel@yahoo.com.br

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Alongamento ósseo em crianças e adolescentes: Conhecendo essa cirurgia.



Existem diversas condições ortopédicas que resultam em encurtamento de um ou ambos os membros inferiores ou superiores.

As patologias podem ser congênitas, onde o encurtamento é evidente logo ao nascimento da criança ou, podem ser adquiridas, como as sequelas de infecções ou lesões traumáticas nas regiões de crescimento ósseo.


Dentre as patologias congênitas, as mais comuns são:


 Hemimelia fibular ou displasia longitudinal da fibula:




Normalmente, a perna é formada pela tíbia e fibula.

A fíbula é o osso mais lateral na perna.

Na hemimelia fibular há uma ausência completa ou parcial deste osso mas, pode ocorrer também apenas a diminuição do seu tamanho.

Além do evidente encurtamento, deformidades associadas no tornozelo e pé são bastante frequentes.



Femur curto congênito ou displasia longitudinal congênita femoral:



Nesta patologia, há diversos graus de encurtamento femoral, algumas vezes associados a anormalidades no quadril, joelho e pé.

O encurtamento do membro inferior é visto logo ao nascimento, podendo inclusive ter também hemimelia fibular associado.


Hemimelia tibial:



Esssa deformidade é menos comum.

Há ausência parcial ou completa da tibia, sendo manifestado por grave encurtamento do membro inferior e deformidades associadas em joelho é pé do lado curto.


Hemihipertrofia congênita:

Trata-se de uma patologia em que a circunferência do membro inferior é aumentada bem como o comprimento.

Geralmente, não há deformidades associadas nas articulações.

O que chama a atenção é a circunferência da coxa e perna e o maiores do que o lado contra-lateral e o tamanho do pé, que também é maior.

A diferença de comprimento vai ficando evidente com o crescimento da criança.



Dentre as patologias adquiridas, as mais comuns são:


- Sequelas infecciosas osteoarticulares, ou seja, sequelas de osteomielite ou artrite séptica em que as regiões de crescimento do osso foram acometidas.

- Lesões tumorais benignas ou pseudotumorais que, localizam-se próximo das regiões de crescimento ósseo levando a inibição do crescimento deste segmento.

- Sequelas de fraturas que provocaram lesão na região do crescimento ósseo.



A avaliação médica:




Encontramos uma criança ou adolescente com um evidente encurtamento do membro inferior, que pode ser principalmente as custas do femur (osso da coxa) ou da tíbia (osso da perna) ou, até mesmo, as custas dos dois segmentos.

Deformidade angular assimétrica, ou seja, o membro inferior além de curto esta desviado para dentro (geno valgo) ou patra fora (geno varo)

Nos casos congênitos, vemos crianças recém-nascidas com os mais variados graus de encurtamento e deformidades em quadril, joelho e pé do lado curto, que merecem consideração no planejamento operatório.




O movimento e a estabilidade ligamentar das articulações ao redor do segmento curto, também devem ser examinadas na consulta ortopédica.


O tratamento:


Existem diversas formas de tratar o encurtamento do membo inferior (compensação no solado do calçado, inibição do crescimento do membro inferior maior, prótese de extensão, encurtamento do lado maior e alongamento ósseo)



O alongamento ósseo: 


Não são todos os encurtamentos que tem indicação de alogamento ósseo.

Alguns pré-requisitos precisam ser preenchidos para a indicação.


Precisamos que:


- A diferença de comprimento estimada, na maturidade esquelética, seja maior ou igual a 5cm. 
Para isso existe o metodo multiplicador de Paley, uasado para o cálculo da previsão final do encurtamento.

- As articulações acima e abaixo do osso a ser alongado precisam estar estáveis, antes do alongamento ser realizado.

- Caso ocorra instabilidade, essas precisam ser corrigidas inicialmente.

- Bom entendimento dos familiares sobre o manuseio do aparelho, tempo de tratamento e cuidados pós-operatórios. Para isso fazemos diversas orientações nas avaliações pré-operatórias.


A cirurgia:




O alongamento ósseo é um procediemnto feito com um aparelho chamado de fixador externo, por fora do segmento a ser alongado, preso ao osso atraves de pinos.

A cirurgia permite correção de deformidades através de um corte no osso, chamado de osteotomia, além de permitir o crescimento do osso.




No período pós-operatório ensinamos o manuseio do aparelho, a intervalos regulares, de forma que, o crescimento ósseo ocorra na velocidade de 1mm/dia, até atingir o valor programado.




O paciente pode caminhar com auxílio de muletas e fazer reabilitação fisioterápica para mobilizar as articulações.

Uma vez alcançado o crescimento desejado, o aparelho permanece estático para que a consolidação do novo osso formado ocorra.




Estando consolidado e com novo osso sem falhas, fazemos a programação para a retirada do aparelho.




O tempo de tratamento é longo, necessitando de higiene frequente dos pinos para garantir uma boa evolução.

O acompanhamento é feito nas consultas periódicas com avaliação clínica e radiológica.


Um abraço a todos,

Dr. Maurício Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239

E-mail: dr.mauriciorangel@yahoo.com.br