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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Criança com a perna torta preocupa?



O formato das pernas da criança, no início da marcha, é sempre observado pelos pais e cuidadores.

Frequentemente, nesta fase da vida, a angulação normal das pernas da criança apresenta um arqueamento.

Chamamos de geno varo, a angulação das pernas em que há um afastamento dos joelhos, quando a criança esta de pé.

Isto é fisiológico e normal, no inicio da marcha.

Até que ponto isto é um problema?

Será que essa perna torta vai piorar?

Será que a criança precisa de algum aparelho corretivo?

Para responder essas perguntas, a primeira coisa a fazer seria uma boa avaliação ortopédica com exame físico.



Sabemos que o arqueamento fisiológico, frequentemente está acompanhado de deformidade rotacional interna da perna (tíbia) e, com isso, a criança caminha com os joelhos afastados e com a frente dos pés para dentro.

A deformidade é mais acentuada em crianças com sobrepeso e obesidade.

Geralmente é simétrica, ou seja, uma perna é igual a outra mas, podemos encontrar assimetrias também.

Grandes assimetrias, são sinais de alerta quanto a evolução desfavorável.

Um ponto importante, que precisa ser avaliado pelo médico, vem a ser a estabilidade ligamentar dos joelhos pois, a frouxidão ligamentar exagerada com a manobra que provoca a deformidade em varo (arqueamento), pode ser um sinal de alerta para progressão da deformidade.

A grande maioria das deformidades em varo das pernas da criança tem evolução benigna, ou seja, tendem a correção espontânea com o crescimento, dentro dos prazos estabelecidos na literatura médica.

Na grande maioria dos casos, a recomendação é para uma vigilância ortopédica, com consultas a intervalos pré-determinados e regulares, para monitorar a evolução da angulação.

Não há nenhuma recomendação para aparelhos corretivos para os casos de geno varo fisiológico.

A história familiar positiva, também exerce influência na velocidade de correção.

Quando a família deve se preocupar?




Nos casos em que há piora progressiva da angulação em varo, nos que apresentam acentuada assimetria com frouxidão ligamentar exagerada nos joelhos e, nos casos que não corrigem dentro dos prazos fisiológicos.

Essas deformidade exigem avaliação física e com imagens pois, a região de crescimento da tibia precisa ser analisada quanto a possibilidade do geno varo patológico.

A principal causa de geno varo patológico, em crianças, é conhecida como doença de Blount e trata-se de uma patologia da região de crescimento da tíbia, de causa desconhecida e cujo tratamento corretivo exige cirurgia ortopédica.

Mensagem para os pais e cuidadores:

- Geno varo em crianças precisa ser avaliado pelo ortopedista pediátrico.

- Na maioria das vezes trata-se de deformidade fisiológica e temporária, com ótimo prognóstico para a correção espontânea, mesmo sem tratamento.

- Acompanhamento regular é necessario para identificar precocemente aqueles casos patológicos

- A principal causa de geno varo patológico é conhecido como doença de Blount e exige diagnóstico preciso, precoce e tratamento cirúrgico corretivo.

Obrigado pela atenção.

Um abraço a todos.

Dr. Maurício Rangel

Para marcar consulta, tel.do consultório é  (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Qual é o alinhamento normal das pernas do adolescente?


Deformidades nas pernas das crianças e adolescentes são sempre uma preocupação para os pais.


As pernas tortas, seja para dentro ou para fora, geram muita polêmica quanto as diversas formas de tratamento existentes ao longo dos anos e das gerações.

Aqui, o leitor terá a oportunidade de conhecer o que de mais moderno e atual existe quanto ao alinhamento das pernas de adolescentes.

Chamamos de geno varo, a deformidade em que, ao ficarmos em pé e encostarmos um tornozelo no outro, observamos que os  joelhos estão arqueados e afastados (popularmente conhecido como pernas arqueadas ou joelhos para fora).




Chamamos de geno valgo, a deformidade em que, na postura ereta, ao encostarmos os joelhos, observamos um afastamento dos tornozelos (popularmente conhecido como pernas em tesoura, joelhos para dentro ou em "X")




Chamamos de alinhamento reto das pernas, aquelas em que, na postura ereta, ao encostarmos os joelhos, observamos que os tornozelos também se tocam, lado a lado.

Para que os membros inferiores estejam com alinhamento normal, não necessariamente precisam ser retos, ou seja, ter geno varo ou geno valgo leve, pode ser considerado fisiológico e normal.

Existe uma história natural para o alinhamento das pernas das crianças e, de acordo com as idades, sabemos, ao exame físico ortopédico, que tipo de deformidade deverá existir.




Deformidades fisiológicas, ou seja, aquelas que são própias para as idades em que estão sendo avaliadas as crianças, não devem ser tratadas pois, a sua evolução é para correção espontânea.

São contra-indicadas quaisquer medidas de tratamento que são ineficazes e que não interferem na evolução natural dos casos fisiológicos.

Sabemos que além das idades, o alinhamento dos membros inferiores sofre influências também relacionadas ao sexo, peso, raça e da história familiar de pai e mãe.

Estudos revelam que na adolescência existem diferenças no alinhamento das pernas entre os meninos e meninas.

Nesta fase, é mais comum em mulheres,  encontrarmos angulação em valgo, constante e estável, dos membros inferiores e, desde que, não seja acentuado, será considerado fisiológico.

Já nos meninos, na adolescência, apresentam uma angulação em valgo que tende a sofrer mudança nos últimos anos de crescimento esquelético, ou seja, a partir dos 14 anos de idade, é comum ocorrer uma alteração na angulação para um leve geno varo que, pode ser cosiderada fisiológico, desde que não seja acentuado.

Com relação ao adolescentes com sobrepeso e obesidade, estudos revelam que o geno valgo, nesses casos, tende a ser acentuado devido ao aumento de tecido adiposo nas coxas e joelhos bem como a sobrecarga nas estruturas ligamentares dos joelhos, superando a capacidade destas estruturas em manter o alinhamento articular, quando na postura ereta.

Como saber que uma deformidade em varo ou valgo não é acentuada para a idade?

Isso exige medições clínicas que são feitas na consulta médica, são as chamadas medições da distância dos tornozelos e joelhos quando são posicionados os membros inferiores lado a lado.

São avaliados também o índice de massa corporal do adolescente, a estabilidade ligamentar articular e os desvios rotacionais associados, muito comuns em deformidades angulares das pernas.

Outro dado muito importante na avaliação da deformidade é a análise do chamado eixo mecânico de carga do membro inferior.

Trata-se de uma avaliação, feita através de exame de imagem, em que são traçados linhas que representam a direção da força do peso corporal passando através das superficies articulares.




Quando uma deformidade é acentuada, o eixo mecânico de carga do membro inferior sofre um desvio que promoverá, a longo prazo, desgaste assimétrico articular, predispondo a degeneração precoce com surgimento de osteoartrose.





Conclusões:

Para saber se o alinhamento das pernas do adolescente está dentro do padrão de normalidade, todas esses fatores citados devem fazer parte da avaliação médica ortopédica, em consulta.

O tratamento só será necessário para aqueles casos que apresentem deformidades acentuadas e fora dos padrões fisiológicos.



Os objetivos do tratamento são alinhar os membros inferiores para a prevenção de desgaste articular precoce (osteoartrose) e aliviar a dor articular por sobrecarga mecânica, daqueles casos acentuados.

Deformidades fisiológicas e leves, não devem ser tratadas simplesmente por questões relacionadas a estética.


Um abraço a todos,

Dr. Mauricio Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O acentuado geno varo (pernas arqueadas) em crianças





O arqueamento das pernas na criança é uma situação bastante frequente encontrada nos consultórios.


Na maioria das vezes trata-se de uma situação benigna e temporária, ou seja, geno varo fisiológico, com expectativa de correção espontânea progressiva.

Existem situações de arqueamento das pernas patológico (pernas tortas para fora), em que a correção não ocorre espontâneamente, muito pelo contrário, onde a história natural é para piora progressiva, se não tratado precocemente.

É muito importante o reconhecimento por parte do profissional da saúde daqueles casos de evolução desfavorável para que a indicação de tratamento seja feito nas idades adequadas, quando a deformidade é progressiva.

O caso citado abaixo reflete a demora no reconhecimento de uma deformidade progressiva, fazendo com que a criança chegasse na primeira consulta comigo com essa deformidade grave e já praticamente com impossibilidade para caminhar mesmo pequenas distâncias.


O que fazer nesta situação?


Criança, menina, 5 anos de idade, com acentuado arqueamento dos membros inferiores, grande dificuldade para a marcha, já tendo sido atendida por diversos profissionais de saúde, sem receber a indicação para o tratamento adequado.


O exame físico:




O acentuado arqueamento é localizado no segmento logo abaixo do joelho, osso conhecido como tíbia, onde, além da deformidade angular evidente, há também deformidade rotacional interna, ou seja, ao ficar em posição de pé, os pés ficam virados para dentro.

O exame ligamentar dos joelhos revelam uma grave instabilidade com as manobras provocativas, característico de situações de arqueamento patológico.

Não há desigualdade no comprimento dos membros inferiores.

A criança só consegue caminhar pequenas distâncias, dentro do domicílio e sempre amparada pelo apoio de um familiar ou na mobília.


O exame radiológico de imagem:




Feito com a criança em posição de pé, evidencia lesão na região de crescimento medial e proximal da tíbia, osso logo abaixo do joelho, provocando o crescimento assimétrico deste osso, acentuando cada vez mais a deformidade.

A patologia é bilateral, as demais regiões de crescimento estão preservadas e normais.


O tratamento indicado:


Após a análise do caso através da história clínica, exame físico e de imagem, foi indicado a correção cirúrgica da deformidade, com um procedimento ósseo, chamado de osteotomia, onde é feito um corte cirúrgico no osso permitindo  o seu realinhamento, corrigindo portanto a angulação e a deformidade rotacional interna associada no mesmo ato operatório.

A indicação de correção foi feita em ambos os membros inferiores no mesmo ato operatório.

Existem diversas técnicas para realizar a mesma cirurgia porém, a escolhida para esse caso, foi a correção utilizando um aparelho de fixação externa pois, permite a correção imediata, não usa gesso, a criança pode mobilizar precocemente as articulações e ficar em pé e caminhar com auxílio de andador ou muletas também de forma precoce. 





Os cuidados necessários são a manutenção da higiene dos pinos, no contato com a pele e as visitas regulares para o acompanhamento pós-operatório.


O resultado:



Após a consolidação adequada da osteotomia e a retirada do aparelho de fixador externo, observamos a correção satisfatória e o restabelecimento da marcha adequada da criança.


Conclusões:



Arqueamento das pernas na criança é uma deformidade que precisa ser acompanhada pelo ortopedista pediátrico.

Na maioria das vezes a deformidade tem comportamento benigno com correção espontânea dentro dos prazos determinados.

Reconhecimento dos casos desfavoráveis e que exigem tratamento deve ser feito de forma precoce para que a correção seja feita antes do surgimento de deformidades tão acentuadas como a citada acima.


Um abraço a todos.

Dr. Maurício Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239