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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sinovite Transitória do Quadril



Quadril em observação 



O que é isso?


  A Sinovite Transitória do Quadril é a principal causa de dor no quadril em crianças abaixo de 10 anos. Trata-se de uma inflamação no quadril de causa desconhecida, auto-limitada e não infecciosa. É mais frequente em crianças muito ativas, podendo ocorrer na presença de quadro viral sistêmico, sendo denominado de Sinovite Reativa.

Como se manifesta?

Existem duas formas de apresentação:


- Dor aguda, de inicio abrupto;


- Dor de instalação lenta e progressiva, localizada no quadril propriamente dito ou referida no joelho. Geralmente se manifesta com claudicação (mancar), porém pode ser de forte intensidade, impedindo a criança de caminhar e até dificultado os movimentos para troca de roupa. 


  Importante ressaltar que o estado geral da criança permanece normal. Não apresenta febre, abatimento, perda do apetite.


O que encontramos no exame físico?


  Dor com a mobilidade passiva do quadril, principalmente abdução (abertura da perna). 


  Dado importante: 


- Não há bloqueio da mobilidade, só limitação quando comparado com o lado contra-lateral. 


- Não há sinais inflamatórios locais (inchaço, vermelhidão). 


- A criança geralmente está mancando grosseiramente, podendo inclusive não conseguir caminhar.


Quais as outras causas de dor no quadril nesta idade?

  O principal diagnóstico diferencial é com Artrite Séptica (infecção da articulação). A criança apresenta febre, abatimento, perda do apetite, rigidez (bloqueio do movimento do quadril) e sinais inflamatórios na articulação. Geralmente está com quadro infeccioso agudo em outro local, podendo ou não estar em uso de antibiótico. Trata-se de uma urgência ortopédica.


  É muito importante fazer essa diferenciação porque o tratamento e o prognóstico são completamente diferentes.

Exames de imagem são importantes?


  Sim, a rotina recomendada é realizar radiografia e ultrassonografia do quadril. A radiografia tem como objetivo afastar outras possibilidades de diagnóstico diferencial. A ultrassonografia identifica o aumento de líquido sinovial, bem como a presença ou ausência de grumos.


Quando pedir exames de laboratório?


  Só devem ser solicitados se história e exame físico forem sugestivos de infecção. Sempre em casos de dúvida entre as duas patologias. Os marcadores de inflamação têm papel importante quando elevados, sugerindo causa infecciosa para a dor.


Como tratar?


 O Tratamento é conservador, feito com medicamentos que visam diminuir a inflamação e dor. Recomenda-se repouso relativo da articulação, ou seja, a criança pode caminhar de acordo com a tolerância. Esportes devem ser evitados no período de sintomas. A expectativa, em se tratando de Sinovite, é de melhora progressiva geralmente em 7 dias.


  A criança deve ser observada de perto durante o tratamento. Contato frequente com a família é importante. Surgimento de piora, após o inicio do tratamento, obrigatoriamente deve ser reavaliado, pois, provavelmente, é outro diagnóstico e outras medidas deverão ser tomadas.


Vai deixar sequela?

  Não, o quadro é benigno, com resolução completa dos sintomas, sem nenhum prejuízo a articulação e retorno a marcha normal e prática esportiva sem restrição.


Pode acontecer novamente?

 Sim, algumas crianças podem ter recidiva dos sintomas por mecanismos ainda desconhecidos. A investigação deve ser recomeçada independente do número de episódios prévios.






Um abraço a todos,
Dr. Maurício Rangel