Criança e Saúde

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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Lesão no menisco em crianças: Como suspeitar e tratar?




 O joelho é uma articulação formada pelo femur (osso da coxa), tíbia (osso da perna) e patela.

Possui no seu interior estruturas importantes como ligamentos (cruzados anterior e posterior, colaterais medial e lateral), meniscos (medial e lateral), cartilagem articular que recobre as extremidades ósseas.



Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas, em formato de semicírculo, localizadas entre o femur e a tíbia, em número de dois, sendo um medial e o outro lateral, que tem funções importantes para a  saúde da articulação:

- Aumentam a área de contato entre o femur e a tíbia;

- Absorvem os impactos sobre os ossos;

- São estabilizadores secundários da articulação;

- Participam da nutrição da cartilagem articular femoral e tibial.



O que é o menisco discóide?


Trata-se de uma patologia congênita em que o menisco deixa de ter o formato normal em semicírculo e passa a ter o formato de um círculo, além de anormalidades nas suas propriedades que favorecem a lesões e, em alguns casos, anormalidades na sua inserção, tornando-os hipermóveis.

Existem 3 tipos de acordo com o formato do menisco:




A patologia localiza-se, na maioria das vezes, no menisco lateral.



Os sintomas:




As crianças ou adolescentes podem apresentar quadros clínicos como:

- Estalidos no joelho, com a movimentação de flexão e extensão;

- Dor crônica e intermitente, principalmente no lado de fora da articulação (menisco lateral);

- Leve limitação na mobilidade articular, principalmente na extensão completa do joelho;

- Pode apresentar episódios de bloqueio articular, com impossibilidade de movimentação;

- Dor na palpação do espaço articular lateral.

- Claudicação, ou seja, caminhar mancando.


Como suspeitar do problema? 





Com a história clínica acima citada e com exame físico articular do joelho, feito pelo médico especialista, realizando as manobras específicas para os meniscos.



A confirmação?




Exige exame de imagem sendo a ressonância magnética o melhor método.



O tratamento:


Meniscos discóides sintomáticos exigem tratamento cirúrgico artroscópico.




O procedimento é conhecido como meniscoplastia, ou seja, realizamos a preservação do menisco, através de uma cirurgia que transforma o menisco com formato anormal, no formato normal em semicírculo.

A região periférica do menisco é preservada, garantindo as suas funções normais e importantes para a articulação.

As lesões meniscais associadas devem ser tratadas com reparo da lesão com suturas, ou seja, meniscorrafia.

Nos casos em que há uma hipermobilidade devido a desinserção periférica, devemos fazer o reparo e a fixação do menisco na cápsula periférica do joelho.




Os resultados cirúrgicos são muito bons, permitindo ao jovem paciente o seu retorno as atividade normais, inclusive físicas, sem dor ou estalidos articulares.




Um abraço a todos,

Dr. Maurício Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239

E-mail: dr.mauriciorangel@yahoo.com.br

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Deformidade do tórax em crianças: O que fazer?






 Uma preocupação comum do pais e motivo frequente de consultas ortopédicas vem a ser a deformidade no tórax da criança.


Uma depressão na parede torácica, conhecido como pectus excavatum, "peito de sapateiro" ou "peito escavado" é uma queixa comum vista no consultório.


O pectus excavatum:

O que é?




Trata-se de uma depressão do osso esterno (osso da frente do tórax), cuja causa é desconhecida, sendo a principal teoria a de um crescimento acelerado das costelas em relação ao esterno, empurrando o mesmo para trás.

A deformidade pode ser localizada no centro do tórax ou ser assimétrica.

Não causa dor e a principal preocupação vem a ser o aspecto clínico da deformidade e os possíveis prejuízos funcionais que pode acarretar.




É mais comum em meninos, geralmente havendo história familiar positiva.

A deformidade é vista logo ao nascimento, na maioria dos casos ou, pode surgir mais tardiamente na adolescência.

A evolução é variável, podendo inclusive não sofrer alterações durante o crescimento e ter comportamento estável.


 O quadro clínico:




Observamos achatamento do tórax, principalmente quando examinamos a criança, olhando-a de lado.

Alterações posturais adaptativas ocorrem como, desvio dos ombros e do pescoço para a frente;

Aumento da cifose torácica;

Protusão abdomina;l

As crianças geralmente tem atividade física normal, sem queixas pulmonares ou cardiológicas.

O principal questionamento é estético.


A avaliação com imagens:




Radiografia do tórax revela a aproximação do osso esterno em relação a coluna vertebral, refletindo justamente o achatamento do torácico.





Tomografia computadorizada revela o grau de deformidade na parede torácica bem como o desvio do coração e as possíveis áreas de compressão pulmonar.


Provas de função respiratória, na maioria das vezes, não apresentam alterações.


O tratamento:





Na maioria das vezes é não cirúrgico e voltado para as correções das posturas anômalas.

Exercícios fisioterápicos com reeducação postural global visando a melhora do poscionamento do pescoço e ombros, melhora na cifose torácica, fortalecimento da musculatura abdominal são de fundamental importância para a melhora na autoestima do adolescente.

As defomidades leves em crianças devem ser apenas observadas e recomendadas atividade física sem restrição.




Não há indicação para aparelhos ou órteses corretivas.

Indicação cirúrgica é exceção, uma vez que a maioria dos casos são de deformidades leves e não progressivas.

Recomendamos a avaliação clínica e com imagens da deformidade e o acompanhamento periódico durante o crescimento da criança.


Um abraço a todos,

Dr. Maurício Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239

E-mail: dr.mauriciorangel@yahoo.com.br

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Luxação congênita do Joelho:




Trata-se de uma patologia rara, que acomete o recém-nascido e que manifesta-se por um recurvato do joelho ou hiperextensão.

A maioria dos casos apresenta outras deformidades congênitas sendo a luxação congênita do quadril uma frequente associação.

É mais comum em meninos e em 20% dos casos é bilateral.

A causa é desconhecida e o achado patológico mais frequente vem a ser o encurtamento do quadríceps (músculo da coxa), impedindo a flexão normal do joelho do recém-nascido.


Vejam a postura dos joelhos em hiprextensão ou recurvato.


No exame físico, o que chama a atenção é a impossibilidade de fletir o joelho da criança, ou seja, o joelho é rígido em hiperextensão. 

Nas crianças que apresentam hiperextensão porém com flexão livre e completa, estaremos diante de deformidade em recurvato postural do joelho com ótimo prognóstico para recuperação espontânea.

Os casos de deformidades rígidas, em que a flexão passiva do joelho é difícil, são os de pior prognóstico exigindo tratamento mais agressivo.

Com relação aos exames de imagem, é muito importante fazer uma radiografia simples do joelho e em alguns casos ultrassonografia articular.




O tratamento deve ser iniciado precocemente visando alongamentos do quadríceps (músculo da coxa), ganho de flexão progressivo do joelho sendo realizado com manipulações e imobilizações gessadas a intervalos semanais.

Os casos com boa resposta ao tratamento, conseguém ganhar flexão, quando então, o tratamento é modificado para o uso do suspensório de pavlik para manutenção da flexão obtida.




Nos casos refratários ao tratamento conservador, serão aqueles de indicação cirúrgica ortopédica onde, realizamos a redução aberta da articulação com alongamento cirúrgico do músculo quadríceps e capsulotomia anterior do joelho.

O prognóstico a longo prazo é bom, com a correção sendo obtida, permitindo a marcha independente da criança.




Algumas crianças necessitam de órteses pós-operatório, por tempo indeterminado, na dependência da estabilidade ligamentar após a correção ter sido obtida. 

Casos que mantém instabilidade ligamentar permanente, após a correção da luxação, serão candidatos a reconstrução ligamentar em idade apropriada.


Um abraço a todos,

Dr. Maurício Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239

E-mail: dr.mauriciorangel@yahoo.com.br