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quarta-feira, 23 de abril de 2014

O joelho doloroso do adolescente.


 

Dor no joelho é uma queixa comum nos ambulatórios de ortopedia pediátrica e do adolescente.

Com muita frequência estaremos diante de dor na frente dos joelhos.

Existem diversas causas para dor na frente dos joelhos no adolescente, desde as próprias do joelho até a dor referida a distância, devido a patologias originadas do quadril.

Por isso, sempre que estivermos diante do adolescente com dor no joelho, é fundamental um exame completo também, da articulação do quadril.

Dentre as patologias próprias do joelho, devemos ressaltar:

Síndrome dolorosa femoropatelar:


Trata-se da dor ao redor da patela (osso da frente do joelho).

Acomete crianças ativas ou não.

Mais comum em meninas, principalmente na fase do estirão do crescimento da adolescência.

Os sintomas podem afetar os dois joelhos mas, com frequência, são mais intensos em um dos lados.

As causas para a dor:




- Mal alinhamento da patela, gerando lesões cartilaginosas dolorosas.

- Overuse, ou seja, sobrecarga mecânica, ocorrendo principalmente em atletas.

- Desequilíbrio muscular do quadríceps gerando anormalidades no funcionamento da articulação femoropatelar.

A movimentação normal da patela é determinada pelo equilíbrio muscular do vasto medial e lateral (componentes do quadríceps), congruência articular da patela com o femur, no sulco troclear e também pelo alinhamento angular e rotacional do membro inferior.

As forças mecânicas que atuam sobre a patela são maiores quando os joelhos realizam a flexão portanto, em situações em que há excessiva flexão dos joelhos como nos exercícios de agachamento, subir e descer escadas e saltos, haverá uma sobrecarga mecânica nesta articulação, podendo gerar sintomas dolorosos.

As características físicas do paciente de risco para dor femoropatelar são:

- Geno valgo e geno recurvato excessivo

- Anteversão femoral

- Torção externa tibial

- Pés pronados

As alterações congênitas da patela e do femur, também contribuem para a sintomatologia e, como exemplos temos:

- Hipoplasia do côndilo lateral do femur e tróclea

- Patela alta

- Encurtamento congênito do quadríceps

As queixas apresentadas:




- Dor na frente dos joelhos durante ou após as atividades físicas ou longas caminhadas.

- Dor com a permanência por muito tempo sentado

- A sensação de falseio ou de instabilidade também pode ocorrer.

A avaliação física:

Deve ser avaliado o alinhamento angular e rotacional do membro inferior, os pontos dolorosos na palpação da patela, principalmente o supero-lateral e o ínfero-medial, manobra de apreensão e a mobilização medial e lateral da patela deve ser observada.



A atrofia do vasto medial deve ser observada pois, é muito frequente nos pacientes com dor femoropatelar.

A avaliação com imagens é fundamental para as conclusões diagnósticas.

Com relação a instabilidade patelar existem basicamente 4 situações:

- Tilt patelar, ou seja, situação decorrente do encurtamento do vasto lateral com hiperpressão lateral dolorosa na patela

- Subluxação patelar

- Instabilidade recorrente

- Luxação crônica irredutível

O tratamento depende de diversos fatores citados acima e do diagnóstico final etiológico para a dor e deve ser individualizado caso a caso.

Obrigado pela atenção.

Um abraço a todos.
 
Dr. Maurício Rangel.

Tel. para marcar consulta: (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Qual é o alinhamento normal das pernas do adolescente?


Deformidades nas pernas das crianças e adolescentes são sempre uma preocupação para os pais.


As pernas tortas, seja para dentro ou para fora, geram muita polêmica quanto as diversas formas de tratamento existentes ao longo dos anos e das gerações.

Aqui, o leitor terá a oportunidade de conhecer o que de mais moderno e atual existe quanto ao alinhamento das pernas de adolescentes.

Chamamos de geno varo, a deformidade em que, ao ficarmos em pé e encostarmos um tornozelo no outro, observamos que os  joelhos estão arqueados e afastados (popularmente conhecido como pernas arqueadas ou joelhos para fora).




Chamamos de geno valgo, a deformidade em que, na postura ereta, ao encostarmos os joelhos, observamos um afastamento dos tornozelos (popularmente conhecido como pernas em tesoura, joelhos para dentro ou em "X")




Chamamos de alinhamento reto das pernas, aquelas em que, na postura ereta, ao encostarmos os joelhos, observamos que os tornozelos também se tocam, lado a lado.

Para que os membros inferiores estejam com alinhamento normal, não necessariamente precisam ser retos, ou seja, ter geno varo ou geno valgo leve, pode ser considerado fisiológico e normal.

Existe uma história natural para o alinhamento das pernas das crianças e, de acordo com as idades, sabemos, ao exame físico ortopédico, que tipo de deformidade deverá existir.




Deformidades fisiológicas, ou seja, aquelas que são própias para as idades em que estão sendo avaliadas as crianças, não devem ser tratadas pois, a sua evolução é para correção espontânea.

São contra-indicadas quaisquer medidas de tratamento que são ineficazes e que não interferem na evolução natural dos casos fisiológicos.

Sabemos que além das idades, o alinhamento dos membros inferiores sofre influências também relacionadas ao sexo, peso, raça e da história familiar de pai e mãe.

Estudos revelam que na adolescência existem diferenças no alinhamento das pernas entre os meninos e meninas.

Nesta fase, é mais comum em mulheres,  encontrarmos angulação em valgo, constante e estável, dos membros inferiores e, desde que, não seja acentuado, será considerado fisiológico.

Já nos meninos, na adolescência, apresentam uma angulação em valgo que tende a sofrer mudança nos últimos anos de crescimento esquelético, ou seja, a partir dos 14 anos de idade, é comum ocorrer uma alteração na angulação para um leve geno varo que, pode ser cosiderada fisiológico, desde que não seja acentuado.

Com relação ao adolescentes com sobrepeso e obesidade, estudos revelam que o geno valgo, nesses casos, tende a ser acentuado devido ao aumento de tecido adiposo nas coxas e joelhos bem como a sobrecarga nas estruturas ligamentares dos joelhos, superando a capacidade destas estruturas em manter o alinhamento articular, quando na postura ereta.

Como saber que uma deformidade em varo ou valgo não é acentuada para a idade?

Isso exige medições clínicas que são feitas na consulta médica, são as chamadas medições da distância dos tornozelos e joelhos quando são posicionados os membros inferiores lado a lado.

São avaliados também o índice de massa corporal do adolescente, a estabilidade ligamentar articular e os desvios rotacionais associados, muito comuns em deformidades angulares das pernas.

Outro dado muito importante na avaliação da deformidade é a análise do chamado eixo mecânico de carga do membro inferior.

Trata-se de uma avaliação, feita através de exame de imagem, em que são traçados linhas que representam a direção da força do peso corporal passando através das superficies articulares.




Quando uma deformidade é acentuada, o eixo mecânico de carga do membro inferior sofre um desvio que promoverá, a longo prazo, desgaste assimétrico articular, predispondo a degeneração precoce com surgimento de osteoartrose.





Conclusões:

Para saber se o alinhamento das pernas do adolescente está dentro do padrão de normalidade, todas esses fatores citados devem fazer parte da avaliação médica ortopédica, em consulta.

O tratamento só será necessário para aqueles casos que apresentem deformidades acentuadas e fora dos padrões fisiológicos.



Os objetivos do tratamento são alinhar os membros inferiores para a prevenção de desgaste articular precoce (osteoartrose) e aliviar a dor articular por sobrecarga mecânica, daqueles casos acentuados.

Deformidades fisiológicas e leves, não devem ser tratadas simplesmente por questões relacionadas a estética.


Um abraço a todos,

Dr. Mauricio Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239