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sábado, 22 de dezembro de 2012

Anormalidades na medula espinhal e coluna vertebral das crianças:



  Disrafismo espinhal

É o termo usado para um grupo de patologias que cursam com aderência da medula espinhal nas estruturas ósseas do canal medular.


Entendendo o problema:


A medula espinhal da criança recém-nascida, ocupa toda a extensão do canal medular, ou seja, vai desde a região cervical (pescoço) até a região sacral (final da coluna vertebral).

Com o crescimento ósseo da coluna vertebral, a medula espinhal, que encontra-se livre e sem aderências ao canal medular, vai migrando proximalmente, ou seja, vai ficar localizada em níveis mais altos, deixando de ocupar todo o canal medular, passando a terminar no nível lombar alto (entre a primeira e segunda vertebras lombares - L1-L2).

No disrafismo espinhal, existem anormalidades na medula que fazem com que ela fique aderida as estruturas ósseas vertebrais da região sacral e a migração proximal normal fica impedida de ocorrer. 

Essa situação é conhecida como ancoramento medular.



O ancoramento medular:


Com o contínuo crescimento ósseo vertebral, a medula aderida, sofre um processo e estiramento progressivo além de compressão com os movimentos de flexão e extensão do tronco.

Esse mecanismo de estiramento medular promove o surgimento de sintomas neurológicos progressivos nos membros inferiores.


Causas do ancoramento medular:


- Lipoma intra-espinhal:
 Tumoração benigna, de gordura, no final da medula, impedindo a migração proximal.

- Diastematomielia:
 Trata-se de uma divisão da medula espinhal por um septo fibroso ou cartilaginoso também promovendo o ancoramento medular.

- Bandas fibrosas entre a medula e a dura-mater.

- Aderências após fechamento de mielomeningocele.


Os sintomas apresentados pela criança:

As manifestaçoes caracetrizam-se por duas formas:

A síndrome ortopédica:

- Assimetria no tamanho dos pés;

- Deformidade em cavo dos pés, ou seja, surgimento de arco longitudinal medial dos pés exagerado (curvinha do pé aumentada)- foto abaixo;




- Deformidade em garra dos dedos dos pés;

- Assimetria na circunferência dos membros inferiores (um membro mais fino do que o outro);

- Claudicação (mancar);

- Alteraçoes de sensibilidade dos pés.

A síndrome urológica:

- Infecções urinárias de repetição na infância e incontinência urinária.



Como suspeitar do ancoramento medular?


A suspeita é feita com exame físico da criança.

Anormalidades nas costas da criança que são sugestivos da patologia:

- Presença de "covinha", na pele, na linha média da coluna vertebral, na região sacral (acima da região glútea), semelhante a um "furinho", conhecido com o nomenclatura médica de dimple (foto abaixo)




- Presença de massas (caroços), de partes moles, na linha média da coluna vertebral;

- Presença de "tufo piloso", ou seja, um acumulo exagerado de pêlos na região sacral (hipertricose), logo acima da região glútea (foto abaixo)




- Surgimento de escoliose em criança de baixa idade.



A confirmação:




É feito com exame de imagem da medula espinhal e canal medular.

Ressonância magnética permite visualização do ancoramento e patologias intra-medulares.

As alteraçoes no sistema urinário, são evidenciados com exame conhecido como urodinâmico.

A radiografia simples nos ná sinais indiretos da patologia:

Espinha bifida: 
Trata-se de um defeito no fechamento no arco posterior vertebral de L5-S1 (foto abaixo);




Ocorre em 20% da população, sem nenhuma repercussão motora

Alterações congênitas vertebrais com hemivertebra, também sugerem alterações medulares. 
 


O tratamento:

É neurocirúrgico com desancoramento medular para impedir a progressão do deficit neurológico. 


Conclusões:




Ortopedistas e pediatras devem estar atentos a esses sintomas pois, muitas vezes, são os primeiros médicos a examinarem a criança.

"Dimple" sacral ou "furinho na pele", na região sacral (logo acima da região glútea), nem sempre é sinal de anormalidade na medula espinhal e maior investigação é recomendada quando anormalidades clínicas estiverem presentes.

Um abraço a todos

Dr. Mauricio Rangel

Tel. (21) 3264-2232/ (21) 3264-2239
E-mail: dr.mauriciorangel@yahoo.com.br